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Conteúdos Técnicos


COOPERATIVAS DE TÉCNICOS DE ENFERMAGEM DA CIDADE DE SALVADOR-BA: UMA ANÁLISE ACERCA DAS PRÁTICAS DE GESTÃO


RITTER, D.*

1 INTRODUÇÃO

No Brasil, o número de empresas do setor de atendimento domiciliar tem crescido vertiginosamente impactando na geração de empregos e economia. Para atuar no mercado, as empresas de atendimento domiciliar obedecem a RDC n° 11 da ANVISA que traz definições gerais sobre os serviços que devem ser ofertados, bem como estrutura e coberturas mínimas, registra as exigências para funcionamento como estrutura física, materiais e equipamentos disponíveis, além de recursos humanos.

Porém, o setor é atingido pela sazonalidade e a imprevisibilidade do número de pacientes e as empresas ficam adstritas ao disposto nas definições da RDC, pois em um determinado mês, uma empresa pode ter 40 pacientes internados em atendimento domiciliar e, no mês subsequente, pode ter mais de 80 pacientes internados. Esta característica confere um alto grau de complexidade à estruturação, ao financiamento e à operação do serviço, considerando-se a agilidade necessária para implantação de um serviço artesanal, personalizado e customizado a cada paciente, diariamente (NEAD,2012)

Diante desta imprevisibilidade, as empresas de atendimento domiciliar terceirizam, através de cooperativas, a prestação dos serviços de técnicos de enfermagem e enfrentam desafios no que tange a qualidade dos serviços prestados.

Sendo assim, as empresas de atendimento domiciliar, juntamente com as cooperativas de técnicos de enfermagem contratadas, buscam alternativas para gerenciar a assistência prestada aos seus clientes com base na eficiência operacional, na gestão e na qualidade dos serviços prestados.

Prioritariamente no setor saúde, a qualidade é conceituada como um conjunto de atributos que inclui um nível de excelência profissional, uso eficiente de recursos, mínimo risco ao cliente e alto grau de satisfação por parte dos usuários (OMS, 1981).

Assim, a cooperativa contratada pelas empresas de atendimento domiciliar é responsável pela gestão e qualidade dos serviços prestados pelos técnicos de enfermagem nos diferentes níveis de complexidade, nos domicílios dos pacientes em atendimento.

2 OBJETIVO

O objetivo deste estudo é analisar o perfil relacionado à estrutura operacional, de gestão e qualidade das cooperativas de técnicos de enfermagem que atendem as empresas de atendimento domiciliar na cidade de Salvador/Ba para tornar possível a elaboração de estratégias assertivas focadas na qualidade da assistência prestada e satisfação do cliente.

3 METODOLOGIA

Trata-se de estudo de campo, transversal e exploratório. Foi elaborado um questionário semiestruturado e aplicado a quatro cooperativas de técnicos de enfermagem que atuam na cidade do Salvador e prestam serviços às empresas de atendimento domiciliar. O instrumento de pesquisa abordou questões referentes à: tempo de atuação das cooperativas no mercado, número de técnicos cooperativados, número de técnicos ativos, número de gestores, se possuem capacitação para assumir o cargo, número de empresas de atenção domiciliar para as quais as cooperativas prestam serviços, número de treinamentos realizados para os técnicos cooperativados em 2016 e temas abordados nestes treinamentos, número de técnicos ativos treinados, principais reclamações dos clientes referentes aos serviços prestados pelos técnicos de enfermagem, presença de indicadores de qualidade e número de assembléias realizadas em 2016.

Todos participantes do estudo assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido autorizando o uso dos dados para fins científicos resguardando a confidencialidade dos atores envolvidos.

As cooperativas que compõem a amostra do estudo foram designadas como: cooperativa “A”, “B”, “C” e “D” e responderam o questionário no mês de junho de 2017.

4 RESULTADOS

De acordo com objetivo deste estudo, os dados referentes aos resultados foram agrupados em duas categorias para facilitar a análise do perfil das cooperativas de técnicos de enfermagem que prestam serviço para as empresas de atendimento domiciliar em Salvador. As categorias foram: estrutura operacional e gestão e qualidade.

4.1 ESTRUTURA OPERACIONAL

A amostra analisada evidenciou que as cooperativas que prestam serviços de saúde em Salvador estão há mais de 8 anos atuando no mercado de saúde e atendem todas as empresas de atendimento domiciliar da cidade. Juntas, as cooperativas possuem mais de 5000 técnicos cooperados, porém apenas 2000 são ativos, ou seja, estão disponíveis para prestarem serviços às cooperativas.

Cada cooperativa analisada possui a figura do gestor que é o profissional responsável pelos processos que envolvem a cooperativa e os técnicos de enfermagem cooperados. Entre as quatro cooperativas estudadas, uma respondeu que os gestores realizaram capacitação para ocupar o cargo e as outras três cooperativas relataram que os gestores não receberam capacitação direcionada à gestão e sim para relações humanas, ética e descrição das necessidades estruturais para funcionamento de cooperativas.

A cooperativa “A” referiu possuir 872 técnicos ativos e 13 gestores, a cooperativa “B” 423 técnicos disponíveis e 3 gestores, a cooperativa “C” referiu ter 298 técnicos ativos e 2 gestores e a cooperativa “D” 407 técnicos ativos e 6 gestores.

Desta forma, observa-se um grande número de técnicos de enfermagem sendo geridos por um pequeno número de gestores que não possuem as qualificações necessárias para ocupar o cargo, o que pode colaborar para falta de controle na qualidade dos serviços prestados e nos erros dos processos.

4.2 GESTÃO E QUALIDADE 

Gerir um grande número de técnicos de enfermagem é o maior desfio para as cooperativas, o que exige o desenvolvimento de competências gerenciais, para os gestores, voltadas para a qualidade dos serviços prestados. Para que seja ofertado um serviço de qualidade é necessário que a equipe realize treinamentos periódicos cujos temas estejam interligados com as não conformidades encontradas.

Buscou-se verificar a relação existente entre o número de técnicos cooperativados e ativos que participaram dos treinamentos oferecidos com os temas abordados e quais as reclamações mais recorrentes que as cooperativas recebem em relação aos serviços prestados às empresas de atendimento domiciliar, na tentativa de verificar se os temas estavam de acordo com as principais reclamações dos clientes.

Dos 21 temas abordados pela cooperativa “A”, 3 abordaram ética profissional, satisfação do cliente e postura profissional no ambiente de trabalho. Os demais temas estavam relacionados ao desenvolvimento de habilidades técnicas diretamente ligadas à práxis operacional dos técnicos de enfermagem como sondagens, oxigenoterapia, cuidados com dispositivos, curativos etc. A cooperativa “B” abordou nos treinamentos 9 temas sobre habilidades técnicas e não referiu abordar temas sobre habilidade interpessoal. A cooperativa “C” referiu abordagem de 10 temas sobre habilidades técnicas e 1 tema sobre ética. A cooperativa “D” citou 25 temas referentes à habilidade técnica e 1 referente a postura e ética profissional.

Das 4 cooperativas investigadas, 1 referiu que a maioria das reclamações registradas pelos clientes referiam-se às inabilidades técnicas e 3 cooperativas sinalizaram que a maioria das suas principais queixas tinham relação com a falta de habilidade interpessoal e postura de seus técnicos cooperativados.

Realizar uma gestão voltada à prestação de serviços de qualidade aos pacientes é um desafio que exige esforços, qualificação dos profissionais e parceria entre os atores envolvidos.

Diante do exposto, identifica-se a necessidade da abordagem de temas sobre habilidades interpessoais nos treinamentos oferecidos pelas cooperativas aos seus cooperados, pois entende-se que os profissionais de saúde utilizam as relações interpessoais como instrumento de trabalho.

Para isso, é necessário um investimento, por parte das cooperativas, no desenvolvimento neste tipo de competência, visto que as reclamações mais prevalentes corroboram com a não abordagem dos temas que propiciem o desenvolvimento de habilidades interpessoais.

O desenvolvimento das competências e a qualificação dos cooperados que prestam atendimento às empresas de atenção domiciliar é de responsabilidade das cooperativas. Desta forma, é importante que o conhecimento, as habilidades e as atitudes dos cooperados sejam medidos e acompanhados, pois, os indicadores tornam possível realizar avaliações dos serviços prestados, bem como traçar estratégias com foco nos resultados a serem alcançados.

Apenas a cooperativa “C” referiu realizar um acompanhamento do desempenho de seus cooperados e de sua gestão, através do uso de indicadores.

Para isso, as cooperativas precisam oferecer periodicamente, treinamentos de especialização nos diferentes níveis de complexidade do atendimento, abordando temas não apenas, em sua maioria, técnico-profissionais, mas também sobre relacionamento interpessoal e de desenvolvimento humano.

5 CONCLUSÃO

Inicialmente, deve ser destacado que o presente estudo não esgota as possibilidades sobre a estrutura operacional, as práticas de gestão e a qualidade dos serviços prestados pelas cooperativas às empresas de atenção domiciliar, tendo buscado identificar ao longo do trabalho de campo e da pesquisa exploratória as ações empreendidas de análise sobre o impacto das oportunidades de melhoria evidenciadas, presente no escopo do objeto estudado e pode ser empregado como instrumento de apoio no processo de decisão das empresas de atenção domiciliar e nas cooperativas de prestação de serviços de saúde em Salvador.

Os resultados deste estudo trazem dados importantes para reflexão das cooperativas acerca de suas práticas de gestão. Fica evidenciada a necessidade de investimento na profissionalização dos seus gestores para que estes possam fazer uma identificação mais assertiva das necessidades dos seus sócios cooperativados, principalmente no que diz respeito à relevância de treinamentos voltados para o desenvolvimento de competências e habilidades interpessoais. Todos os resultados foram apresentados às cooperativas que participaram da pesquisa, em forma de indicadores.

Por fim, salientando que minimizar problemas relacionados à estrutura operacional, a gestão e a qualidade das cooperativas de técnicos de enfermagem é o maior desafio enfrentado pelo segmento. É oportuno que as empresas de atenção domiciliar, enquanto parceiras das cooperativas de técnicos de enfermagem intensifiquem ações visando o aprimoramento dos serviços prestados aos clientes do setor.

 

BIBLIOGRAFIA

OMS – Organização Mundial da Saúde. Avaliação dos programas de saúde: normas fundamentais para sua aplicação no processo de gestação para o desenvolvimento nacional na saúde. Genebra, 1981.

NÙCLEI NACIONAL DAS EMPRESAS DE SERVIÇO DE ATENÇÃO DOMICLIAR -NEAD. O Cooperativismo e a Atenção Domiciliar à saúde. 2012.

FORMOZO, G. OLIVEIRA. D. As relações interpessoais no cuidado em saúde: uma aproximação ao problema. Rev. Enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2012 jan/mar; 20(1):124-7.

 

*Daniela Ritter dos Santos – Enfermeira Supervisora da Assiste Vida Atenção Domiciliar, Especialista em UTI Adulto e Pós Graduanda  em Gestão de Serviços de Saúde.

Endereço: Rua Silveira Martins, 603 – Bloco “C”, Apt 202 – Cabula – Salvador/BA

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